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PAPO DE BANDA - JUSTA VINGANÇA? T01 E02

por Flávio Almeida


Salve leitor do Seguimos Fortes!

Dando continuidade na primeira temporada do Papo de Banda, troquei uma ideia com os caras da Justa Vingança? de Indaiatuba-SP, mais especificamente com William Caproni (guitarra) e Hugo (vocal). Cruzamos com eles em um show no Hey Bulldog em Campinas e me chamou atenção a coerência, o discurso e como esses caras tocam com a alma! Trago aqui um pouco da história deles e o dia a dia dessa banda que manda o recado mesmo, em alto e bom som!


FAlmeida - Justa Vingança?, que prazer poder fazer essa entrevista com vocês! Bom, para começar aqui, como, onde e por quem a banda foi criada? Porque o nome da banda é uma pergunta e o que há por trás dessa pergunta?

William - A Justa Vingança? foi criada em Março de 2016, na cidade de Indaiatuba-SP. Eu e o Thiago iniciamos um projeto para tocar algumas músicas que tínhamos juntamente com nosso amigo Rodrigo. Poucos meses depois o Hugo já integrou a banda e logo de cara já iniciamos um processo de escolha do nome. Chegamos a nos apresentar em um show com o nome de Fight Back porém, sentimos a necessidade de trocar para um nome em português. Após algumas ideias, logo chegamos a uma conclusão sobre o nome Justa Vingança? E após isso as coisas começaram a fluir naturalmente.

Hugo - O nome da banda é uma provocação, são situações antagônicas que não se misturam em uma sociedade que busca o estado de direito, ou lidamos com justiça ou com vingança, hoje entendemos que o estado brasileiro se vinga dos povos originários, do povo preto e dos pobres desse país, uma vingança racista e classista, o Capitalismo vive de crises e essas crises geram essa opressão para as classes mais pobres que precisam buscar o sustento a qualquer custo, e com isso o aumento da violência, essa situação legítima para a classe média, o uso da violência do estado contra o povo pobre, e nos torna cúmplices do caos. Por isso perguntamos, é justa essa vingança?


FAlmeida - Nós estamos próximos aqui Will (Jundiaí -> Indaiatuba), fazendo esse circuito do interior de São Paulo. O que vocês da Justa Vingança? acham desse circuito e como tem sido participar ativamente desse cenário hardcore.

William - Nós achamos esse circuito muito importante e ele tem crescido e se organizado nos últimos tempos. Tivemos o privilégio de tocar em quase todo esse circuito e achamos muito importante incentivar as bandas, de uma maneira ou de outra, assim elas movimentam a cena de sua cidade, promovendo shows eles mesmos. Acreditamos muito que isso, aos poucos e mesmo com muita dificuldade funciona, pois tivemos mais boas experiências do que ruins tocando nesse circuito.


FAlmeida - Eu, particularmente, sou um defensor do circuito do interior-SP! Acho que temos um potencial enorme quando as bandas se unem! Mas muitas vezes nos deparamos com produtores ruins, casas não preparadas etc... O que vocês pensam sobre esse assunto e como lidam com isso?

Justa Vingança? - Nos viramos como todo mundo faz, e se a estrutura não é adequada para nosso som, tiramos o que temos de melhor do local, o importante é a mensagem ser entendida pelo público. Nós acreditamos que qualquer artista fora dos grandes centros, sofram como nós e alguns até mais, levando em consideração que o Brasil é gigante e dificulta a propagação da arte fora do mainstream.


FAlmeida - Como vocês se organizam para sair em tour ou mesmo para tocar 2 ou 3 shows consecutivos?

William - Na maioria das vezes os roles aconteceram nos fins de semana, porém já houve casos de tocarmos na sexta e no sábado ou sábado e domingo em lugares distantes. Quando isso ocorre, nos planejamos sempre uma semana antes, principalmente durante o ensaio daquela semana para definir todos os detalhes. Planejar os custos que iremos ter também ajuda muito quando feito com antecedência, pois imprevistos podem ocorrer e temos sempre que estar preparados.


FAlmeida - Sabemos que conciliar banda, família e outro emprego não é uma tarefa fácil! O que motiva vocês a continuarem?

William - Realmente não é uma tarefa fácil conciliar tudo isso, hoje no Justa Vingança? todos têm namoradas, esposas e empregos para conciliar. As namoradas e esposas nos apoiam muito em todos os sentidos, divulgando, fotografando e outros itens que acabam somando e muitos dos bons resultados que temos, devemos a tudo isso. Conciliar nossos empregos com a banda já é uma tarefa um pouco mais difícil, pois os horários de trabalho são diferentes, eu particularmente trabalho a noite e geralmente em dias de semana e não consigo sair para tocar, mas sempre damos um jeito e tudo acaba fluindo de uma forma ou de outra.


FAlmeida - Eu percebi quando tocamos juntos, que vocês têm já um som característico de guitarra e baixo, e que obviamente foram investidos tempo e dinheiro para alcançá-los. Entendo que isso se faz necessário porque sempre é uma surpresa o equipamento da casa em que iremos tocar! Conte um pouco sobre isso.

William - Ao longo dos anos a gente sempre se atentou aos timbres e fomos de certa forma evoluindo os equipamentos na medida do possível. Hoje podemos dizer que temos uma cadeia de pedais que nos permite alcançar um determinado padrão de timbre. Sempre lemos a respeito de timbres e os reviews nos ajudam bastante a tomar decisão sobre estes ajustes. As casas oferecem equipamentos variados, seja ele valvulado ou não, os pedais ajudam a manter esse padrão de timbre que possuímos.


FAlmeida - Atualmente as bandas precisam gerar conteúdo e material quase que mensalmente. Isso é possível de ser feito quando há uma organização boa, investimento e certo tempo. Conte um pouco sobre esse tema e o sobre o planejamento da Justa Vingança?

Hugo - No ano de 2019, decidimos parar com os shows devido ao nosso batera ter elevado seu status a papai, a banda já possui um paizão (William) e agora temos dois. Com a paradas nos shows, conseguimos colocar algumas coisas paradas em ação, como a gravação do EP, dois novos singles, um videoclipe que já está em fase edição e um planejamento para a gravação de mais um novo vídeo. Não vamos entrar na onda conteudista só para manter alguma relevância em redes sociais, para alimentar as redes geramos muitas fotos por evento, nossa fotógrafa oficial, Patrícia Meloni, vem fazendo um ótimo trabalho. Alguns vídeos feitos pela galera que frequenta os shows e algumas lives em ensaios não deixam de ser conteúdos relevantes, mas não nos pressionamos para estar sempre gerando algo novo, pois nosso processo é artístico e revolucionário, existe uma mensagem política clara de luta de classes e enfrentamento da ordem burguesa, nossas composições tem uma roupagem simples, mas é um processo que exige tranquilidade para ser feito e posto nas ruas. Essa pressão para sermos algo que não somos, não pegou no Justa Vingança?.


FAlmeida - O processo de gravação pode ser uma verdadeira frustração se a banda não estiver preparada para gravar. Vocês costumam fazer pré produção?

William - Não costumamos fazer a pré produção, fazemos algumas gravações em vídeo dos ensaios e através destas gravações, tentamos corrigir e aperfeiçoar as novas músicas. Recentemente gravamos dois Singles neste formato e nos rendeu um resultado muito satisfatório.


FAlmeida - Vocês colocam o dedo na cara e na ferida de muita gente, principalmente nesse cenário catastrófico que temos em curso em nosso país! Como isso influencia nas composições, nas gravações e na produção dos shows?

Hugo - Nossa postura é de enfrentamento! O público HC nos grandes centros se faz ainda por maioria homens, brancos de classe média e esse privilégio social precisa ser discutido e enfrentado de forma sistêmica e não com constrangimento, mesmo privilegiados que estão dentro de um recorte social onde a luta de classes é um problema para eles, os argumentos precisam vir à tona e gera discussão, pois podemos assim gerar companheiros de luta nesse processo. O Brasil não vai mudar sem luta, as redes geram discussão e palavras ao vento, nas ruas, nas casas de shows, nos teatros, em ONGs, em exposições podemos realmente impactar as pessoas e assim fortalecer nossa luta contra o real poder que é o Capitalismo.


FAlmeida - Para finalizar aqui pessoal, queria agradecer pelo tempo e dizer que admiro e gosto muito do trabalho de vocês! Será sempre um prazer encontrá-los na estrada! Deixe aqui um recado para os leitores e nos diga o que podemos esperar da Justa Vingança? nos próximos meses, anos e algo mais que queriam, o espaço é de vocês!

Justa Vingança? - Busque consumir arte revolucionária, consuma os produtos desses artistas, pois a monetização para os companheiros de luta é fundamental para nos fortalecer. Essa monetização traz uma tranquilidade para os artistas que não vivem disso, as tiram do seu sustento para colocar esses trabalhos nas ruas. Consumam canais revolucionários do youtube, interaja, estude e debata com os companheiros de luta. Estamos passando por um projeto de poder econômico cruel que visa a precarização do trabalho a todo custo, além de um projeto moral neopentecostal perigoso e retrógrado, a metodologia é clara: revisionismo histórico e teorias conspiratórias. A luta está posta, e temos que agir agora. Se indigne, volte a colocar o HC num processo de luta do oprimido contra o opressor, não confunda raiva contra o sistema com discurso de ódio.


FAlmeida - Que pedrada essa entrevista com a Justa Vingança?! Se liga aqui no som dos caras! A mensagem é didática e de fácil entendimento e, a banda começou com registros ao vivo (são 2 EPs gravados ao vivo e lançados, trazendo a vibe da banda). Eu achei isso sensacional quando conheci o trabalho deles e é de muita atitude e confiança! Destaco as músicas “Quem te Representa?” do primeiro EP, um Hard Core no melhor estilo, dedo na cara e muita coerência, juntamente com o último single dos caras “N.D.P.A” que é um trampo de estúdio e que dá a letra do quem vem por aí nos próximos trabalhos da banda! Letra atual, instrumental coerente e a pedrada característica de sempre. Agradeço a banda pela troca de ideias e pela disponibilidade e ao espaço aqui do Seguimos Fortes!

A gente se encontra aqui em breve, tchau!




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